A IMPORTÂNCIA DO SOFRIMENTO

 

Ficaríamos atordoados com as respostas positivas de recém-mamães, se perguntássemos a elas  sobre suas lembranças do sofrimento do parto em suas vidas. Elas se lembrariam do sofrimento, claro. Mas ao contemplarem suas pequenas crias, num piscar de olhos, o sofrimento se transformaria em recompensa.

Uma namorada, sofrida pela distância de seu grande amor, não hesitaria em responder que sua saudade é um sofrimento. Mas que o encontro futuro,  daria uma satisfação maior do que qualquer dissabor do passado. O sofrimento é transformado em esperança.

As mulheres,  que todos os domingos precisam visitar seus maridos em uma penitenciária, passam por muito  sofrimento e muita angústia. Mas, cada passo, dentro do complexo penitenciário, tem a alegria do reencontro, da liberdade. O sofrimento lança os olhares para um futuro que ainda não é real.

O sofrimento tem dois lados. O lado negativo quando eu falo “ai, ai, mais um dia” e o lado positivo, “que bom, menos um dia”. O olhar que eu tenho sobre meu sofrimento define o tipo de dor que terei.

O sofrimento está grudado ao ser humano. Ninguém foge do sofrer. O máximo que se consegue é adiá-lo por algum tempo. Mas todos nós, cristãos ou não, passaremos por este “fogo de provação” chamado sofrimento. E é por ser parte de minha vida que ele é uma importante via para minha salvação. Ele é uma presença misteriosa e santificante de Deus e também desenvolvimento da maturidade humana. Por isso que, um bom evangelizador é aquele que comunica seu sofrer com Cristo de maneira madura e verdadeira.

Jesus teve uma vida missionária muito curta. Foram no máximo, três anos de vida pública. Humanamente, não seria um tempo hábil para comunicar uma noticia como a que Ele veio nos trazer: a Salvação. Impossível transformar uma mensagem na maior verdade que o ser humano já escutou. A não ser, claro, se esta mensagem vier acompanhada de dor e de sofrimento. Não há boas notícias sem uma cota de sofrimento. O ápice da evangelização de Jesus foi Sua Paixão, Morte e Ressurreição. É por isso que o tempo de maior importância para os cristãos é a Semana Santa. A Igreja celebra este sofrimento porque foi nele e por ele que a porta da salvação nos foi aberta. É na cruz de Cristo que os cristãos se vêem. E é neste sofrimento de Jesus que fomos curados, soltos, livres. O sucesso da evangelização do Senhor foi Sua própria dor.

A Cruz de Cristo é um verdadeiro incômodo para os que não crêem. Mas para nós, ela é poder de Deus, ela é portadora de uma misteriosa evangelização. Este sofrimento do Senhor é detentor de uma misteriosa evangelização. Talvez por isso os dramáticos momentos nas Oliveiras, são recheados de mistério e de profundidade evangélicas. Foi neste sofrimento que o demônio começou a perder império. Nossas dores, associadas às de Jesus, expulsam os males que querem nos afligir e afligir nossa família.

E é no sofrimento que nos associamos ao Senhor, no Seu plano de Salvação. Não é para sairmos pedindo sofrimento para Deus. Mas, tomar consciência de que Deus faz uso deste para comunicar que “Ele está no meio de nós” até o fim. Mesmo que nosso sofrimento não nos deixe entender. Se não fosse assim, Francisco não chamaria sofrimento de irmão. Quando o mesmo Francisco afirma ser a morte sua irmã, ele associava a dor e o sofrimento que a morte traz consigo. Mas o sofrimento só tem seu sentido se associado aos sofrimentos de Cristo, ou seja, ao plano de Salvação.

Nossa Senhora teve na morte e no sofrimento uma espécie de “companheiros de peregrinação”. Jesus, ao ver o sofrimento da Mãe também provou desta companheira inseparável do homem: a dor.

Junto com Cireneu, foram os sofrimentos de Jesus por nós que seguraram a cruz. Jesus não sofria por Si mesmo. O Senhor sofria por nós. Havia um verdadeiro motivo para sofrer. Tinha uma causa. E Deus fez o sofrimento de Jesus ter valor de salvação.

Nosso sofrimento pessoal deve se associar à Salvação. A dor talvez não se amenize. O sofrimento não vai embora porque somos cristãos de Eucaristia. Mas na Eucaristia ele se torna valoroso para a salvação.  Mistério entendido, não é mistério. E este mistério da salvação é vivido completando em minha carne o que faltou na Paixão de Cristo (Col. 1,24). O sofrimento não se define por ele mesmo. Discussão inútil tentar entender o sofrimento. Mais inútil ainda, associá-lo a dívidas que tenho com o passado.

O sofrimento é importante para o ser humano e sem ele não há salvação: “No mundo tereis aflições. Coragem, eu venci o mundo” (Jo. 16,33).

Se o sofrimento é “amigo” do ser humano, logo a salvação está intrinsecamente ligada a este sofrer.

A mesma dor do parto normal é a da cólica do rim. Dizem que ambas se parecem, são semelhantes. Ouve-se o grito do parto na mesma altura que o dor da cólica renal. Mas a diferença está no que se vai extrair deste sofrimento.

O cristão extrai salvação. Milagrosamente também consegue extrair alegria, paz, bondade, maturidade afetiva. A dor tem propriedade de humanizar corações gelados para o próximo. Sofrimento pode salvar casamentos, salvar jovens de seus vícios, maridos alcoólatras.

“Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem” (Mt. 7,11). Sofrer por Cristo, por Cristo e em Cristo é um dom. Entender este sofrimento é um milagre. Dom e milagre ao nosso alcance.  

 

 

 


 
Paz constante

 


Colaborador  : Silvinho Zabisky

Comunidade Beatitudes

 

COM DEUS ATÉ O FIM, MESMO SEM ENTENDER

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